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As praias da hora
Alternativas
para quem quer o sol
e a beleza do litoral da Bahia, Diogo Schelp
Quanto mais o turismo de massa avança, mais a Bahia se mostra capaz de revelar novas praias de águas clarinhas, areias macias e natureza farta, com charmosas vilas de pescadores. Melhor ainda é o fato de que, mal alguém descobre um desses paraísos, rapidamente aparecem no lugar alternativas bem razoáveis de hospedagem e pequenos e agradáveis restaurantes. Junto com eles surge também uma boa alma que, com um trator, trata de manter transitáveis as estradas de terra que levam os turistas e seus reais. Porto Seguro, que hoje tem o maior fluxo turístico depois da capital do Estado, acredite, já foi assim. A Praia do Forte, 50 quilômetros ao norte de Salvador, também. Nesta temporada, alguns desses recantos prontos para brilhar e encantar visitantes são Barra Grande, ao norte de Ilhéus, Cumuruxatiba, no extremo sul do Estado, e Boipeba, ao sul de Salvador. Ao lado de Itacaré, que já vem sendo falada há alguns verões, mas ainda não explodiu de gente, esses três destinos têm tudo para agradar a quem quer a praia baiana sem o som do axé em alto volume nas barraquinhas, deseja passear por ruazinhas estreitas sem encontrar conhecidos na esquina e pretende tomar uma água-de-coco sem ter problemas para estacionar. Os acessos por terra estão em bom estado, mas isso não quer dizer que seja rápido chegar a essas praias. Barra Grande, pertencente ao município de Maraú, na península de mesmo nome, é destino que demanda uma viagem com certa complexidade. Para ir até lá, é preciso dirigir-se a Camamu, a 140 quilômetros de Ilhéus, e dali fazer um percurso de uma hora e meia de barco até a ponta da península, onde fica a vila de 500 habitantes. Agora, na alta temporada, há barcos partindo para Barra Grande durante todo o dia e a estrada que liga Ilhéus a Camamu está em ótimo estado. O número de pousadas na região cresce há três anos. No ano passado, eram cerca de trinta estabelecimentos na Península de Maraú. Neste verão, estão instalados na área mais de 45 estabelecimentos. A capacidade de hospedagem já é suficiente para fazer dobrar a população local. Mas não existe razão para temer acomodações precárias nem superpopulação. Muitas pousadas têm quartos com televisão, ar-condicionado, frigobar, varanda com rede e limpeza impecável. As alternativas de alimentação também vão bem além do tradicional e às vezes enjoativo peixe frito. Barra Grande já dispõe de um restaurante de comida japonesa, uma casa especializada em tortas e um estabelecimento que oferece fresquíssimos frutos do mar. No capítulo dos passeios, por se tratar de uma península, a região oferece mar e praia para todos os gostos. Na parte voltada para o continente há remansos de água calma e, em muitos pontos, bem rasos. São perfeitos para as crianças brincar. Do outro lado, de frente para o alto-mar, encontram-se trechos de praia com ondas boas para o surfe e outros com recifes que formam piscinas naturais ideais para mergulho. Vale a pena alugar um snorkel em um lugar chamado Taipus de Fora, a 7 quilômetros de Barra Grande. A Ilha de Boipeba, a 320 quilômetros de Salvador, tornou-se alternativa para quem adorava Morro de São Paulo, no mesmo arquipélago, e se convenceu de que sua praia nos últimos anos estava ficando com gente e preços acima de limites razoáveis. Boipeba, como ainda é novidade, tem maior tranqüilidade e praias muito mais preservadas do que as da ilha vizinha. Entre as vinte pousadas do lugar, decoradas em estilo rústico, a maioria é confortável e oferece café-da-manhã e refeições com vista para a praia quase deserta e o mar transparente. Isso compensa, com folga, a falta de televisão e frigobar. Também para chegar a Boipeba é preciso viajar de barco, num percurso de aproximadamente quarenta minutos. As embarcações partem de Torrinhas, 160 quilômetros ao sul de Salvador. Foram a construção e a modernização de muitas estradas litorâneas, nos últimos anos, que tornaram possível o fenômeno da descoberta de novas praias na Bahia a cada temporada. Itacaré é um dos melhores exemplos disso. Cinco anos atrás, o lugar era freqüentado quase exclusivamente por jovens mochileiros e surfistas que se dispunham a enfrentar uma estrada de terra com 54 quilômetros em péssimo estado. Gastavam-se em média três horas para chegar a Itacaré, partindo de Ilhéus. Depois que o asfaltamento da estrada foi finalizado, o tempo de percurso baixou para 45 minutos. Com o asfalto, muito mais gente pôde alcançar as belas praias cercadas de costões cobertos por Mata Atlântica. Dois resorts já estão instalados na área, e dezenas de pousadas foram erguidas à beira-mar, mas a localidade mantém seu ar de cidade perdida no tempo. Apesar da boa estrutura para receber turistas, o casario e as ruas sonolentas dão a impressão de que mal se passou da metade do século XIX, quando o cacau fez a riqueza da região. Em Itacaré há praias apropriadas para naturistas, para surfistas, para crianças e para a turma dos esportes náuticos, seja do windsurfe, seja do jet-ski. As alternativas de restaurantes são muitas, de comida mineira a italiana, com opção também para vegetarianos.
Processo semelhante ao ocorrido em Itacaré viveu a localidade de Prado, a 212 quilômetros de Porto Seguro. O acesso que liga a cidade à rodovia, a BR-101, foi finalizado dez anos atrás. Isso facilitou a chegada de visitantes à cidade. Não demorou para que o lugar se tornasse ponto de partida de barcos que levam turistas para a observação de baleias. Cumuruxatiba, um distrito de Prado, tem 4 800 habitantes e está a 32 quilômetros do centro da cidade. A estrada de terra, muito bem conservada, permite que se conheça mais esse cantinho já servido de restaurantes bons e pousadas graciosas, entre o mar e a floresta. Enquanto são para poucos, lugares assim mostram outro atrativo além das belezas naturais e da calma: os preços. As pousadas raramente cobram mais de 130 reais de diária para casal, os restaurantes servem pratos fartos por 30 reais, para duas pessoas, e há passeios de barco, com horas de duração, a partir de 20 reais. |